Temporada 2017 no Castelo de S. Jorge - E SE MAIS MUNDOS HOUVERA… (Danças do tempo dos Descobrimentos portugueses)

SINOPSE GERAL DEFINITIVA

 

             Ilustrar a História da Expansão Portuguesa através das Danças do seu tempo, é tarefa imensa. Como poderemos retratar cabalmente esta brava gente portuguesa, sem os virmos através da espada que levavam numa mão e da pena que levavam na outra? E contudo… connosco também viajaram outrora sons e harmonias, danças e melodias, tristezas e alegrias que os corpos -cortesãos ou populares- bailavam com irregular mestria. E de outras paragens também trouxemos música e inspiração para outras danças.

           Em três espetáculos, três épocas das histórias dos Descobrimentos, três épocas de diferentes danças, três monarcas: D. João I, D. Manuel I,  D. João IV. Regressemos, pois, ao nosso passado, levados pelos ventos da música e pelos ondulantes meneios dos bailadores através da Associação Danças com História, no espaço do Castelo de São Jorge , homenageando, neste ano 2017,  Lisboa Capital Ibero Americana da Cultura.

 

1.º Espetáculo -Danças do tempo de D. João I

 A voz da Terra, ansiando pelo Mar – Fernando Pessoa

     

D.João I  O tempo e a grndeza das obras obrigam-nos a que escrevamos nos capítulos seguintes a fama do notabilíssimo empreendimento tomado por este virtuoso e nunca vencido príncipe D. João I que, por seu propósito determinou, pela força das armas, conquistar uma tão nobre a tão grande cidade como é Ceuta.

 (Gomes Eanes de Zurara – Crónica da Tomada de Ceuta, Capítulo II)

        No começo era o mar. Distante, desconhecido, tenebroso. Povoado por monstros e por medos, local de lendas e de sonhos Como não partir, se na pobre casa portuguesa muita era a míngua e maior a esperança?

Neste primeiro espetáculo ouviremos e veremos os sons e as danças do dealbar da nossa Expansão, desse início do século XV, o tempo em que Ceuta estava perto e o mar defronte era um caminho aberto para algures, repartido entre anseios e temores: os sons e as danças do início da Expansão (primeira metade do século XV). Foi o tempo de Bartolomeu Dias e de Gil Eanes…

15 jan|16 abr | 16 jul | 15 out

 

2.º Espetáculo - Danças do tempo de D. Manuel I

 Navegar é preciso, viver não é preciso – Fernando Pessoa

 

      D. Manuel ITanto que desembarcámos, fomos assim juntos fazer oração à Igreja de Santo Espírito, em louvor e graças de Nosso Senhor por sua imensa misericórdia depois  de haver um ano que partíramos e termos andado por entre tantas bárbaras  nações e passando por tudo aquilo que se pode imaginar de medonho, pesado,  triste, grande, mau, desditoso, onde tantos homens, mancebos rijos e robustos acabaram seus dias, deixando os corpos insepultos pelos campos; e com suas mortes a tantos pais e irmãos, a tantas mulheres e e filhos cobertos de luto neste reino.

(Bernardo Gomes de Brito, História Trágico-Marítima) 

Depois do começo, o apogeu. As velas portuguesas alcançaram a Índia e o Brasil, navegaram pelo Atlântico, pelo Índico e pelo Pacífico; padrões foram semeados nas costas de África e da América. Foi nesse final do século XV e início do século XVI que Portugal dominou o medo e mar, esse Mare Nostrum em que tantos ficaram para sempre. 

Neste segundo espetáculo escutaremos as melodias e veremos as danças deste período de glória, no qual todos os sonhos pareciam ao alcance de um mero passo de dança e o futuro parecia sorrir a Portugal: os sons e as danças do auge da Expansão (segunda metade do século XV e primeira metade do século XVI). Foi o tempo do Gama e de Cabral…

19 fev| 21 mai| 20 ago| 19 nov

 

 

3.º Espetáculo - Danças do tempo de D. João IV

 Todos navegamos com o mesmo vento, que é o tempo - António Vieira

 

   D. João IV Os que saem a semear são os que vão pregar à Índia, à China, ao Japão;  os que semeiam sem sair são os que se contentam com pregar na pátria.  Todos terão sua razão, mas tudo tem a sua conta. Os de cá, achar-vos-eis  com mais Paço; os de lá, com mais passos… 

 (Padre António Vieira – Sermão da Sexagésima) 

    Tempos difíceis estes da segunda metade do século XVII, em que das ruínas de um império usurpado se ergueu de novo um povo reclamando o que lhe pertencia. Depois da usurpação, a restauração. A grandeza fora já perdida, é certo, e com ela também as glórias de outrora. Ficava a honra, a dignidade, a persistência em preservar a independência.

Neste quarto espetáculo veremos as danças de uma época de decadência, em qua a corte e a nação resistiam à dominação forasteira. Por entre os sons dos instrumentos, escutavam-se ao longe marchas de guerra: os sons e as danças da Restauração da Independência (século XVII) e da reconquista do Brasil, em que, uma vez mais, a vitória pertenceria a quem outrora tivera a coragem de descobrir o mundo. Foi o tempo de Salvador Correia de Sá e de André de Albuquerque Ribafria…

19 mar| 18 jun| 17 set| 17 dez

 

 

Temporada 2015 no Castelo de S. Jorge - Danças de Corte em 3 actos

 

 

D Maria de Aragão

2015-01-18 11-42-01

O século XV, com a arte de Gil Vicente, onde a dança se reconhece amiúde como presente, nos seus autos e farsas.

Celebra-se o nascimento do 1.º filho de D Manuel, na presença dos monarcas D Manuel e D Maria de Aragão, D Leonor e D. Beatriz, mãe do Rei Venturoso. Gil Vicente inicia a sua presença na corte de D Manuel, com o Auto da Visitação (1501), sendo que nas celebrações festivas não faltam as danças.

Onde não há cordança/não há lei, festa nem dança (Auto Pastoril Português).

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(17 jan|18 abr | 18 jul | 17 out)

 

Luis de Camões

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O século XVI, com a arte de Luis de Camões, cortesão por vocação e bailador por associação.

Em finais do século XVI D. Sebastião alvoroça o país com os preparos para a expedição a África. O som de charamelas cede lugar ao rufo de tambores e ao tinir de espadas esgrimindo nos treinos para a luta contra o infiel. Mas se pelo reino se prepara a guerra, a nobreza não abandona a cortesia e ao terçar de armas contrapõe o terçar de danças, mantendo refinado o ambiente de corte, abrindo os paços a figuras tão ilustres como Luís Vaz de Camões, que ora  apresentará a El-Rei D. Sebastião a obra prima da epopeia lusitana.

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(21 fev| 16 mai| 15 ago| 21 nov)

 

Francisco Manuel de MeloAuto do fidalgo aprendizO século XVII, com a arte de Francisco Manuel de Melo, no qual os fidalgos são aprendizes de dança, por ambição.

Ao esplendor das festas palacianas de outrora sobreviveu a nobre arte da dança, considerada uma das mais propícias para a fidalguia. Assim o entendeu D. Francisco Manuel de Melo trazendo para o reino a Ópera Ballet e ilustrando no seu famoso Auto do Fidalgo Aprendiz o empenho de um fidalgo em aprender esta arte, apesar de em finais do século XVII a fidalguia lusitana inclinar mais os seus gostos para a tauromaquia, sendo comum introduzir, como introito às touradas, danças mouriscas e folias. Também as Country Dances começam a ser conhecidas e dançadas nas cortes europeias.

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(21 mar| 20 jun| 19 set| 19 dez)

 

Temporada 2014 no Castelo de S. Jorge - Festas de Corte e Passos de Dança

 

SINOPSE GERAL

Quatro séculos de História portuguesa. Quatro séculos de festas de corte. Quatro séculos de danças cortesãs vistos pelos olhos de quatro infantas, de quatro futuras rainhas de Portugal.Rainhas… ou nem tanto, que das quatro aqui retratadas, uma não chegou a cingir a coroa. D. Filipa de Lencastre, D. Isabel de Aragão, D. Joana de Áustria, D. Luísa de Gusmão. Eis os seus nomes.

D. Filipa e D. Luísa foram rainhas. D. Isabel só seria de um posterior casamento e D. Joana, viúva demasiado cedo do seu esposo, nunca o foi. Quatro séculos, quatro festas, quatro infantas.

Danças com História relata, com o habitual rigor dos trajes, dos sons e dos movimentos, a evolução das danças de corte em Portugal, através das festas cortesãs que se fizeram na receção a quatro infantas estrangeiras.

Passos feitos com arte e mestria, ao som dos séculos que passam e ao som do roçagar dos vestidos e dos mantos. Sons que no Castelo de S. Jorge ganham vida e cor, numa festa contínua que atravessa e reconstitui o nosso passado coletivo.

 

SINOPSES DAS QUATRO RAINHAS

SÉCULO XIV: FESTA DE CASAMENTO DE D. FILIPA DE LENCASTRE COM D. JOÃO I (1386)Imagem de Blogue Estórias da História

Em que terá pensado D. Filipa de Lencastre quando, naquele dia de janeiro de 1387, viu pela primeira vez o seu noivo, o recém-alçado rei de Portugal D. João I? Desconfiaria sequer que seria mãe de uma geração de infantes das mais auspiciosas que houve novas em Portugal? Imaginaria que do seu real ventre nasceriam varões e infantas que levariam a todo o mundo a justa fama das gentes portuguesas? Alojada por esses dias nos paços do bispo do Porto, por certo, não pensaria em nada disso. Recém-enviada da sua Inglaterra por seu pai, o duque de Lancaster, para ser rainha de Portugal, talvez a infanta pensasse apenas nos seus novos deveres em terra forasteira. Decerto faria frio. Mas a sua nova terra com calor a acolheu sempre.

SÉCULO XV: FESTA DE CASAMENTO DE D. ISABEL DE ARAGÃO COM D. AFONSO DE PORTUGAL (1490)

Em 1490, casou a princesa Isabel de Aragão com o infante Afonso, príncipe herdeiro de D. João II. Mais do que um casamento entre príncipes, era uma esperança de futuro que nesse ano de consumou em Évora. Era uma nova etapa da política ibérica gizada por D. João II e da qual resultaria uma união ibérica sob a égide portuguesa. Abençoado casamento. Amaldiçoado casamento que muito em breve se desfez nas areias de Alfange, na beira Tejo com a misteriosa morte do infante Afonso. Viúva demasiado cedo e viúva antes de ser rainha, acabará por ser, sete anos depois, rainha de Portugal. Mas isso é já outra história…

SÉCULO XVI: FESTA DE CASAMENTO DE D. JOANA DE ÁUSTRIA COM D. JOÃO MANUEL (1552)

A real mãe do Desejado. Assim se poderia designar esta infanta de Castela e princesa consorte de Portugal por via do seu casamento com D. João Manuel, Principe de Portugal, filho de D. João III. A real mãe do Desejado, pois do seu consórcio com o herdeiro da coroa lusa nasceu D. Sebastião, essa maravilha fatal da nossa idade, como lhe chamou Camões. A princesa que nunca chegou a ser rainha menos de dois anos esteve em Portugal, que logo após o nascimento de Sebastião partiu para a sua Castela natal. Numa curta estada, uma herança tão grande…

SÉCULO XVII: FESTA DE CASAMENTO DE D. LUÍSA DE GUSMÃO COM D. JOÃO DE BRAGANÇA (1633)

No dia 12 de janeiro de 1633, pelas quatro horas da tarde, chegou a Elvas D. Luísa Francisca de Gusmão, filha de D. João Manuel Peres de Gusmão, duque de Medina Sidónia. Chovia. Chovia muito. Mas diz o povo que boda molhada é boda abençoada. E talvez por causa dessa bênção terá sido nesse dia que nasceu sem que se soubesse um casal régio, restaurador e triunfador. Naquele dia, casaram na Sé de Elvas. Menos de sete anos depois, reinariam num Portugal Restaurado. Como disse então D. Luísa: mais vale ser rainha por um dia que infanta toda a vida.

 

Temporada 2014 no Castelo de S. Jorge - Atuações temáticas

D. Filipa de Lencastre

As danças do povo, que se viram nas ruas Porto, na alegria do casamento do Mestre de Avis, eram vivas e alegres - danças desvairadas - como refere Fernão Lopes.  Saltos e malabaristas decorreram durante a refeição, terminando com danças e cantares das damas  Muitas das manifestações bailatórias populares eram de roda, ou em filas e improvisadas.

A dança seguramente mais em voga é a Carola , dança coletiva em fila aberta, de mãos dadas. As figuras eram o arco, em que duas dançarinas dão as mãos e os outros passam por debaixo, a

espiral e o túnel D Filipa tinha ao seu serviço um trovador judeu e é de origem judaica e ibérica o único mestre de dança medieval que se conhece – o rabi Hacén bem Salomono.

Após a chegada de D Filipa, a vida de corte moderniza-se, sendo aceite para as damas portuguesas, uma melhor posição social. No seu casamento passam a ter um lugar à mesa dos banquetes, até então, reservado aos homens. Esta mudança permite que as damas participem na função bailatória e a dança de pares só é favorecida a partir de então.

 

D. Isabel de Aragão

Em 1490 Rui de Pina descreve as festas de casamento do Príncipe D. Afonso com D. Isabel de Castela, em Évora. Os festejos magníficos que então se realizaram são inspirados nas festas da Borgonha Quanto às danças, é sabido que os fidalgos portugueses estavam ao corrente das danças em moda na Europa. É conhecido desde 1416 o I.º Tratado de Dança manuscrito de Domenico de Piacenza – Mestre de dança da família dos Este e de Ferrara, que naquela corte dava aulas de dança e cortesia além de organizar divertimentos e festas.

É o tempo da basse danse que, no dizer de Domenico, “ é a rainha da Dança e digna de usar coroa”. Os passos são lentos, as atitudes solenes, os passos rastejantes e um ligeiro movimento de elevação Domenico comtemplava cinco componentes no ensino da dança : Medida, Maneira, Memória, Divisão do espaço e Elevação.

 

 

D. Joana de Áustria

A Pavana e a Galharda são as danças mais mencionadas no sec XVI em França, Espanha e Itália. Andam associadas. A Galharda é saltitada e alegre e como diz Arbeau, “assim se chama porque quem a dança deve estar alegre e animado”. A Pavana é lenta e cerimoniosa, é o momento ideal para exibir um porte elegante e uma ocasião mundana para a ostentação de riquezas e trajes luxuosos. As danças de pares ou em trios, são muito apreciadas. Estão na moda a spanholeta, cascarda, alemande e folias.

Trabuqueto, spezzato, seguito, são alguns nomes de passos na dança italiana e as coreografias são, por vezes, complexas, formadas por sequências sucessivas. Em Portugal a Mourisca, tal como no reinado de D João II, ainda está na moda e D. João III tinha ao seu serviço um grupo de bailadores de mourisca, a quem dava mantimentos e fazia mercês. No sec XVI a mourisca era, em Lisboa, uma dança da moda e havia escolas para a ensinar. Francisco Teixeira, bailador de mourisca, foi em 1533, agraciado por D João III em reconhecimento do mérito da sua arte.

 

D. Luisa de Gusmão

Desde 1500, a Country Dance é uma forma de dança inglesa, de origem rural, mas que progressivamente, irá ser praticada na corte. O êxito das Country Dances é reforçado ao longo do sec XVII graças às publicações de J. Playford dos seus Tratados de Dança. Este êxito irá estender-se às capitais europeias e mais tarde, em França tomarão o nome de contredanses.

As formas coreográficas mais comuns são RODAS (rounds), FILAS (longways) e QUADRADOS (squares). O passo base é o passo duplo, e muito frequentemente o arming – num passo duplo, pé esquerdo os pares enlaçam os braços direitos e o sidding – em que os pares descrevem uma volta completa num passo duplo pé esquerdo em direcção ao ombro direito do par.

 

 

Imagens: http://pt.wikipedia.org/

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Temporada 2013 no Castelo de S Jorge

 

SÉC. XV (20 JAN | 21 ABR | 21 JUL | 20 OUT)
Danças do tempo de Fernão Lopes

Entre o aparato da Corte da época, com reis, nobres, clero, homens bons do povo dos painéis de São Vicente, Fernão Lopes, o cronista mais famoso do reino de quatrocentos, apresenta um passado que é nosso, interpretando olhares, analisando rostos, dando sentido a palavras, descrevendo trajes e descodificando danças de uma época – a basse danse, considerada a rainha das danças, os saltarellos, e as branles – dançadas por personagens reais trajadas a rigor.

SÉC. XVI (17 FEV | 19 MAI | 18 AGO | 17 NOV)


Danças do tempo de Fernão Mendes Pinto

Com Fernão Mendes Pinto, aventureiro e explorador do reino de quinhentos, desvenda-se a imagem que outros têm de nós, como tão bem ficou retratado nos famosos Biombos Nambam, e a euforia dos tempos que então se viviam, onde a justa fama dos “serões de Portugal” se materializava em danças alegres – a pavana rica, as galhardas, as folias, as cascardas, as allemandes ou os vilanicos! – dançadas por personagens reais trajadas a rigor.

SÉC. XVII (17 MAR | 16 JUN | 15 SET | 15 DEZ)


Danças do tempo de Padre António Vieira

É com Padre António Vieira, personagem ímpar do Portugal de seiscentos, homem de confiança de D. João IV e confessor de D. Luísa de Gusmão, que são apresentadas as danças de Corte da época da Restauração e décadas seguintes, que seguem o reportório dos tratados de Country Dance de J. Playford, em que as danças adquirem coreografias diversas, quer ao nível das formações espaciais quer no número de pares, numa evocação viva das contradance da época com personagens reais trajadas a rigor.

 

http://castelodesaojorge.pt/dancas-com-historia/