Temporada 2014 no Castelo de S. Jorge - Festas de Corte e Passos de Dança

 

SINOPSE GERAL

Quatro séculos de História portuguesa. Quatro séculos de festas de corte. Quatro séculos de danças cortesãs vistos pelos olhos de quatro infantas, de quatro futuras rainhas de Portugal.Rainhas… ou nem tanto, que das quatro aqui retratadas, uma não chegou a cingir a coroa. D. Filipa de Lencastre, D. Isabel de Aragão, D. Joana de Áustria, D. Luísa de Gusmão. Eis os seus nomes.

D. Filipa e D. Luísa foram rainhas. D. Isabel só seria de um posterior casamento e D. Joana, viúva demasiado cedo do seu esposo, nunca o foi. Quatro séculos, quatro festas, quatro infantas.

Danças com História relata, com o habitual rigor dos trajes, dos sons e dos movimentos, a evolução das danças de corte em Portugal, através das festas cortesãs que se fizeram na receção a quatro infantas estrangeiras.

Passos feitos com arte e mestria, ao som dos séculos que passam e ao som do roçagar dos vestidos e dos mantos. Sons que no Castelo de S. Jorge ganham vida e cor, numa festa contínua que atravessa e reconstitui o nosso passado coletivo.

 

SINOPSES DAS QUATRO RAINHAS

SÉCULO XIV: FESTA DE CASAMENTO DE D. FILIPA DE LENCASTRE COM D. JOÃO I (1386)Imagem de Blogue Estórias da História

Em que terá pensado D. Filipa de Lencastre quando, naquele dia de janeiro de 1387, viu pela primeira vez o seu noivo, o recém-alçado rei de Portugal D. João I? Desconfiaria sequer que seria mãe de uma geração de infantes das mais auspiciosas que houve novas em Portugal? Imaginaria que do seu real ventre nasceriam varões e infantas que levariam a todo o mundo a justa fama das gentes portuguesas? Alojada por esses dias nos paços do bispo do Porto, por certo, não pensaria em nada disso. Recém-enviada da sua Inglaterra por seu pai, o duque de Lancaster, para ser rainha de Portugal, talvez a infanta pensasse apenas nos seus novos deveres em terra forasteira. Decerto faria frio. Mas a sua nova terra com calor a acolheu sempre.

SÉCULO XV: FESTA DE CASAMENTO DE D. ISABEL DE ARAGÃO COM D. AFONSO DE PORTUGAL (1490)

Em 1490, casou a princesa Isabel de Aragão com o infante Afonso, príncipe herdeiro de D. João II. Mais do que um casamento entre príncipes, era uma esperança de futuro que nesse ano de consumou em Évora. Era uma nova etapa da política ibérica gizada por D. João II e da qual resultaria uma união ibérica sob a égide portuguesa. Abençoado casamento. Amaldiçoado casamento que muito em breve se desfez nas areias de Alfange, na beira Tejo com a misteriosa morte do infante Afonso. Viúva demasiado cedo e viúva antes de ser rainha, acabará por ser, sete anos depois, rainha de Portugal. Mas isso é já outra história…

SÉCULO XVI: FESTA DE CASAMENTO DE D. JOANA DE ÁUSTRIA COM D. JOÃO MANUEL (1552)

A real mãe do Desejado. Assim se poderia designar esta infanta de Castela e princesa consorte de Portugal por via do seu casamento com D. João Manuel, Principe de Portugal, filho de D. João III. A real mãe do Desejado, pois do seu consórcio com o herdeiro da coroa lusa nasceu D. Sebastião, essa maravilha fatal da nossa idade, como lhe chamou Camões. A princesa que nunca chegou a ser rainha menos de dois anos esteve em Portugal, que logo após o nascimento de Sebastião partiu para a sua Castela natal. Numa curta estada, uma herança tão grande…

SÉCULO XVII: FESTA DE CASAMENTO DE D. LUÍSA DE GUSMÃO COM D. JOÃO DE BRAGANÇA (1633)

No dia 12 de janeiro de 1633, pelas quatro horas da tarde, chegou a Elvas D. Luísa Francisca de Gusmão, filha de D. João Manuel Peres de Gusmão, duque de Medina Sidónia. Chovia. Chovia muito. Mas diz o povo que boda molhada é boda abençoada. E talvez por causa dessa bênção terá sido nesse dia que nasceu sem que se soubesse um casal régio, restaurador e triunfador. Naquele dia, casaram na Sé de Elvas. Menos de sete anos depois, reinariam num Portugal Restaurado. Como disse então D. Luísa: mais vale ser rainha por um dia que infanta toda a vida.