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PostHeaderIcon Efeitos precoces

Os efeitos secundários precoces desenvolvem-se desde o início do tratamento até cerca de três meses após a sua conclusão. Tipicamente aparecem entre 2 a 3 semanas após o início do tratamento, prolongando-se até 3-4 semanas após este ter terminado. São inevitáveis e por regra toleráveis sendo com frequência apenas necessária medicação sintomática e algumas medidas locais. São limitados no tempo e a sua intensidade e duração estão relacionados com o volume de tecido irradiado e dose por fracção, sendo aqueles proporcionais a estes. O tempo médio até à manifestação destes efeitos secundários é típico do tecido em causa tendo a ver com a sua velocidade de renovação (turnover).

Vulgarmente podemos distinguir os efeitos sistémicos, quase sem relação com o local irradiado, normalmente devidos à libertação para a circulação sanguínea de produtos da lise tumoral. Ocorrem tipicamente no início do tratamento de grandes massas tumorais ou de tumores com elevada sensibilidade às radiações (p.e. linfomas) ou quando são prescritas doses elevadas por fracção (p.e. flash hemostático). A reacção observada pode corresponder a um prurido generalizado, controlável com anti-histamínicos, ou a uma sensação de mal estar com náuseas e vómitos, geralmente de pequena intensidade, que respondem bem à administração de procinéticos do tubo digestivo (p.e. metoclopramida) e, curiosamente, pior aos antieméticos de nova geração (p.e. ondansetron). Embora não exista comprovação cabal dos mecanismos envolvidos a eficácia dos fármacos usados permite especular sobre o assunto.
 
Nas situações de irradiação atrás descritas foi possível documentar, durante os primeiros dias de tratamento, aqueles em que ocorre a maior destruição tumoral em termos absolutos, uma elevação transitória da concentração de ácido úrico no sangue, correlacionada com um risco aumentado de desenvolver um quadro de insuficiência renal aguda. O tratamento destas situações é profilático e passa pelo emprego de uricosúricos durante o período de maior risco, geralmente desde o início do tratamento até à estabilização do volume do tumor.
Os efeitos secundários, devidos à acção das radiações sobre o tumor, não são de forma alguma tão previsíveis como os expressos pelos tecidos sãos. Estes últimos são de facto quase uma característica e não algo inesperado, tal a sua constância e previsibilidade.
Este segundo tipo de efeito secundário precoce, goza do mesmo mecanismo fisiopatológico que explica o efeito das radiações ionizantes sobre os tumores, sendo a sua expressão essencialmente local, tal como o é o efeito terapêutico da radioterapia. Não é, no entanto, invulgar que esta acção local esteja na origem de alguns efeitos gerais, pela geração de mecanismos fisiopatológicos mais ou menos complexos (p.e. a lesão na mucosa oral gera degradação do estado geral por deficiente alimentação). Certas medidas podem ser tomadas para interromper este mecanismo de generalização de um efeito inicialmente local. Como o tratamento é localizado o mesmo acontece, em princípio, com os efeitos secundários sendo as medidas a tomar, preventivas ou terapêuticas, dependentes das zonas irradiadas. Vamos analisar estes efeitos secundários de acordo com a localização irradiada abordando desde logo as medidas terapêuticas. Todas as situações focadas assumem a utilização de técnicas de tratamento e de um fraccionamento de dose convencionais.
 
Não serão focadas de modo algum as complicações decorrentes da irradiação de todos os órgãos do corpo humano, mas sim daqueles cuja irradiação é habitualmente considerada um risco calculado e aceitável em relação ao benefício esperado. Alguns órgãos não podem pura e simplesmente ser sujeitos a níveis de radiação lesivos por isso poder ser letal e a sua inclusão num volume de tratamento envolve cuidados especiais.