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PostHeaderIcon Indicações da Radioterapia

Perto de metade dos novos casos de cancro são sujeitos a radioterapia sendo ainda irradiados cerca de 500 casos de recidiva por ano, prevendo-se anualmente cerca de 2500 doentes para tratamento com radioterapia, por cada milhão de habitantes. A radioterapia pode ser prescrita como único tratamento em muitas circunstâncias, por ser a melhor opção ou por constituir uma alternativa válida à cirurgia ou quimioterapia.

As neoplasias da cavidade oral, pele ou lábio, em estádios precoces, têm respostas idênticas à radioterapia e à cirurgia, com a vantagem de a primeira não provocar mutilação ou deformidade local significativa. Noutros casos, por deficientes condições operatórias ou recusa do doente, a radioterapia pode constituir uma alternativa válida, com ou sem quimioterapia associada.

A combinação da radioterapia com a cirurgia pode ocorrer em pré-operatório, para viabilizar uma cirurgia inicialmente impossível, reduzir a probabilidade de contaminação do leito operatório ou para permitir uma cirurgia menos mutilante; pós-operatório, no caso de ressecção incompleta ou quando o risco de recidiva local é elevado; intraoperatório, principalmente em tumores abdominais, onde a administração transcutânea de doses eficazes é quase impossível.

A combinação com a quimioterapia, tem permitido alguns resultados encorajadores, associando o seu efeito sistémico à eficácia local da radioterapia, sendo utilizada sobretudo em tumores do aparelho digestivo e da esfera ORL. Os resultados da radioterapia dependem da localização e do estádio inicial. Por regra, nos estádios precoces de patologias cuja expressão é essencialmente local, os resultados são excelentes, com alterações mínimas a nível cosmético e funcional, nomeadamente no cancro da cavidade oral, laringe, mama, próstata e canal anal.

A radioterapia é uma modalidade terapêutica que tem indicação formal nos tumores avançados da mama, ginecológicos ou de cabeça e pescoço, associada a cirurgia e/ou a quimioterapia. No tratamento das formas localizadas da doença de Hodgkin e de algumas apresentações de linfomas não Hodgkin, os resultados são sobreponíveis aos obtidos com terapêutica citostática.

A RT externa sofreu grandes modificações desde os raios X de baixas energias (até 400kVp), passando pela radiação gama do Cobalto-60, até aos raios X de energias entre 4 e 25MV produzidos pelos modernos aceleradores lineares. Estes feixes de radiação electromagnética e o uso de feixes de electrões permitem administrar doses terapêuticas em volumes muito precisos.

A administração numa determinada zona do organismo de uma dose eficaz, minimizando a irradiação dos tecidos sãos é possível, recorrendo ao uso simultâneo de várias portas de entrada do feixe de tratamento e usando diversos modificadores do feixe que permitem proteger certas zonas ou modificar a distribuição de dose em profundidade.

As tecnologias actualmente disponíveis para o diagnóstico imagiológico, nomeadamente a tomografia axial computorizada, em conjunto com os actuais sistemas informáticos de planeamento dos tratamentos, permitem administrar doses cada vez maiores, em volumes de tecido cada vez mais precisos.

O uso integrado das mais recentes tecnologias e de rigorosos princípios operacionais permite optimizar a qualidade do tratamento, através de um melhor controlo tumoral associado a menor morbilidade (utilizando maior dose mas com redução do volume de tecidos sãos irradiados).