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Início Radioterapia Efeitos secundários Pele

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Este é o órgão comum a todas as localizações tratadas com radioterapia externa, respondendo da mesma forma independentemente do local. Alguns factores locais ou gerais podem modular a intensidade e duração dos sintomas e sinais desenvolvidos, mas, a altura do seu aparecimento é quase uma constante, ocorrendo cerca de três semanas após o início da radioterapia.
De início, apenas é notável um ligeiro eritema concomitante à sensação de calor ou prurido. A evolução é com frequência para um eritema mais intenso com descamação, sem exsudação, acompanhada da exacerbação dos sintomas anteriores. A maior parte dos casos não sofre agravamento, sendo a medicação limitada à utilização de tópicos emolientes (pantenol), eventualmente com corticoide, embora este deva ser usado com precaução pois interfere nos mecanismos naturais de cicatrização, de cujo equilíbrio depende a integridade do organismo. A aplicação de violeta de genciana, especialmente nas zonas intertriginosas é eficaz para prevenir infecções secundárias, ajudando a manter estas zonas secas e limpas.
Raramente esta dermite evolui para uma forma mais grave, com aparecimento de exsudação, obrigando à interrupção da radioterapia. Nestas circunstâncias a aplicação de tópicos contendo óxido de zinco é benéfica. A utilização de antibióticos é desnecessária, excepto se se comprovar a presença de infecção. Melhor que estas medidas de tratamento activo parece funcionar a prevenção. Estes efeitos secundários, tal como ocorre com todos os outros, são função de um binómio agressão/recuperação.
 
Por um lado, o efeito das radiações sobre as células determina a morte de uma determinada percentagem de células após cada fracção, por outro, as soluções de continuidade no tecido desencadeiam uma série de mecanismos locais, idênticos qualquer que seja a agressão, levando ao recrutamento de células pluripotenciais, cuja descendência tende a suprir as necessidades existentes. Este recrutamento pode levar alguns dias até atingir a sua eficácia máxima, pelo que é frequente, após o agravamento inicial, a estabilização e mesmo a melhoria de sinais e sintomas ao longo da quarta semana de tratamento, mesmo sem qualquer interrupção na radioterapia. Esta situação mantém-se até final do tratamento, se não existirem outras formas de agressão e o estado de nutrição do doente for suficiente para fornecer a energia necessária ao bom funcionamento destes mecanismos fisiopatológicos.
É justamente nos outros processos de agressão que pode ser feita a maior intervenção que, sendo preventiva, é mais eficaz que qualquer terapêutica. O procedimento é válido para qualquer tecido em qualquer ponto do corpo: há que identificar o agressor, potencial ou real, e evitá-lo ou removê-lo. Conhecer a fisiologia local facilita bastante a tarefa.
Constitui agressão para a pele qualquer elemento ou actividade que: favoreça a sua fragilização, seja um dano propriamente dito ou interaja com as radiações potenciando a sua acção. No primeiro ponto, qualificam-se sem dúvida as zonas intertriginosas, onde a humidade local e o atrito constante constituem elementos facilitadores do aparecimento de reacções secundárias à radioterapia. O mesmo raciocínio é aplicável a locais sujeitos a atrito ou traumatismos mais ou menos evidentes, de uma forma rotineira, como seja a pele da face, sujeita ao barbear diário, nos homens, e aos elementos exteriores (radiação solar, frio, calor, humidade, etc.). Dito isto, torna-se evidente que qualquer zona sujeita a um traumatismo, seja ele uma intervenção cirúrgica, um processo infeccioso ou um traumatismo acidental, mecânico, térmico ou químico, é candidata a exprimir reacções secundárias à radioterapia mais facilmente e com maior intensidade. Caindo na última categoria, mas igualmente a temer, está o uso de tópicos, pomadas, cremes, pastas ou loções, que, mesmo não sendo lesivos por si sós, contêm elementos que interagem com a radiação, aumentando a dose absorvida pela pele. O melhor exemplo são os tópicos contendo moléculas de metais (p.e. zinco).
 
Os feixes de fotões de alta energia, possuem um efeito poupador da pele, por a dose mais elevada ser absorvida, não à superfície, mas a uma dada profundidade, determinada pela energia (efeito de build-up electrónico). Na prática, esta profundidade é de 5mm para a radiação emitida pelo Cobalto-60, atingindo 25mm para feixes de raios X de 25MV produzidos pelos aceleradores lineares, estando qualquer destas distâncias abaixo da camada granulosa da pele, responsável pela sua regeneração, donde o efeito poupador. A utilização de tópicos contendo metaloides na zona de tratamento tem um efeito designado de bolus, aproximando da superfície a zona de maior dose, devendo pois ser cuidadosamente retirados antes da administração da radioterapia.
Relativamente aos anexos da pele, nomeadamente os folículos pilosos, por se encontrarem a uma profundidade maior que a da camada basal da pele, não beneficiam do efeito de build-up. Doses acima de 3000cGy em 3 semanas provocam o desaparecimento temporário do cabelo, na zona irradiada, enquanto que 6000cGy em 6 semanas ou mais determinam uma epilação permanente.